quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Alma Confusa.

Pouca coisa é mais danosa do que a alma dividida: estar num lugar com a cabeça em outro; com uma pessoa, tendo outra a ocupar o afeto; num trabalho, desejando outra maneira de vencer os dias; numa família, invejando outra; numa estrada, ansiando outro destino; numa personagem, sabotando a real identidade do si mesmo. Tenho um monte de coisas para fazer, e não consigo produzir, acho que é o cansaço. Enquanto espero a hora do próximo compromisso me bateu um enfado do tipo “e daí?”. Fui tomado por um sentimento de “chega de coisas óbvias, alguém, por favor, me diga alguma coisa que eu ainda não tenha ouvido, uma coisa nova, me mostre um ponto de vista diferente, me aponte na direção de alguma coisa realmente surpreendente, e me diga como sair desta mesmice previsível”.


De súbito me censurei, dizendo para mim mesmo “e aí, companheiro, tá dando uma de louco, que busca novidade e não se satisfaz nunca?”, e depois fui um pouco mais cruel, “você ainda não encontrou a grande novidade? Não é você quem diz por aí que quem se encontra com Cristo mata a sede de vez porque tem dentro de si um rio de água viva?”. Evidentemente, não sou de ficar calado quando esse tipo de confrontação bate na minha consciência e fui logo respondendo que “Jesus coloca um rio de água viva dentro da gente, o que é bem diferente de dar um copo d’água definitivo, que a gente bebe de uma vez por todas para nunca mais ter sêde. A brincadeira não é tomar um copo e nunca mais ter que voltar a Jesus. A graça da coisa não é beber um copo d’água, mas voltar sempre, não apenas para tomar um copo, mas para mergulhar o mais fundo no rio de água viva. Ou a gente mergulha todo dia ou cai mesmo nesse marasmo enfadonho e cinzento que de vez em quando fica bem parecido com escuridão. Então me dá licença, que eu vou vestir um calção!".......rsrsrrs

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