quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Pru quê? - Pompilho Diniz

Hoje eu quero falar de esperança. Esperança que no livro do Eric Fromm "A revolução da esperança" é conceituada de maneira bíblica como fé. Não quero me ater a bases epistemológicas, apenas a esperança. Quero desanuviar com esse momento de reflexão.
Me sinto forçado a citar esse poema de Pompilho Diniz interpretando nele o amor incondicional de Deus para conosco. Ele que carrega nosso jugo e muitas vezes não o deixamos carregar. Seja pelas vicissitudes da vida, seja pela falta de tempo ou de reflexão ou ainda, comunhão.
Se analisarmos o poema, é uma carta de Deus para conosco, homens simples e frágeis. Uma carta de amor, daquele que expressou o maior amor que pode ser expressado. Se a sua vida está difícil e assim como eu você encontra-se cansado, faça como diz a música: "Não tema, siga adiante e não olhe para trás. Segura na mão de Deus e vá".
É um poema caipira e obviamente a linguagem parece neologismo, mas é um tipo de onomatopéia para ambientar e regionalizar. Ao mesmo tempo, faz lembrar que não importa o quão longe você estiver, Ele (o Verbo que se fez carne) estará sempre ao seu lado para te amparar.



Pru quê
"Pru quê tu chora, pru quê?
Pru quê teu peito saluça
e o coração se adebruça
nos abismo do sofrê?
Tu pode me arrespondê?
Pru quê tua arma suzinha
pelas estrada caminha
sem aligria mais tê?

Pru quê teus óio num vê
e o coração não escuita
no sacrificio da luita
este cunvite a vivê?
Eu te prugunto, pru quê?
pru quê teus pé já sangrando
cuntinua caminhando
pela estrada do sofrê?

Pru quê tua boca só fala
das coisa triste da vida
que muita veiz esquecida
dentro do peito se cala?
quando o amô prefume exala
pru quê tu mata a simente
dessa aligria inucente
que no seu sonho se embala?

Pru quê que teu coração
é cumo um baú trancado
e dento dele guardado
só desespero e afrição
Pru quê num faiz meu irmão
uma limpeza la dentro
varrendo cô pensamento
os ispim da mardição?

Pru quê tu véve agarrado
nas asa desse caixão
que carrega a assumbração
desse difunto, o passado?
Se tu já véve cansado,
interra todo o trumento
na cova do isquicimento
pra nunca mais sê lembrado

Despois disso, vem mais eu...
vem ouví pelas estrada
o canto da passarada
que em seu peito imudeceu.
escuita a vóz das cascata,
chêra o prefume das mata,
óia os campo, tudo é teu...

Aprende côs passarim
que só tem vóz pra canta
com o sor que nasce cedim
e vem teu frio esquentá
Óia as estrela, o luar
mas antes de tu querê
isso tudo arrecebê
aprende primeiro...
a dá."


A felicidade não é o lugar para o qual se vai, mas a maneira como se vai.
Viver a vida em abundância é rir até se acabar, é chorar aos borbotões, é ter problemas, alguns com soluções.

Eclesiastes  9- 7a10.
7 - Portanto, vá em frente. Coma com prazer a sua comida e beba alegremente o seu vinho, pois Deus já aceitou com prazer o que você faz.
 8 - Procure sempre parecer feliz e satisfeito.
 9 - Enquanto você viver neste mundo de ilusões, aproveite a vida com a mulher que você ama. Pois isso é tudo o que você vai receber pelos seus trabalhos nesta vida dura que Deus lhe deu.
 10 - Tudo o que você tiver de fazer faça o melhor que puder, pois no mundo dos mortos não se faz nada, e ali não existe pensamento, nem conhecimento, nem sabedoria. E é para lá que você vai.